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FRANCISCO MUNIZ VENTURA, 58 ANOS DE HISTÓRIA


HistóriaHISTÓRIA ELEGANTE

“Quando você muda de óculos, muda de atitude, de estilo, de comportamento…” Esta era uma das frases de Francisco Muniz Ventura, empresário, designer, filho de imigrantes italianos e portugueses, que desde pequeno observava seu pai, dono de um atacado de secos e molhados, a trabalhar com o comércio.

Ele iniciou sua carreira como balconista da Fotóptica. Curioso e extrovertido, conhecia cada departamento da empresa e especializou-se como técnico em óptica. Em 1953, sentiu-se preparado e abriu sua primeira ótica, a FOTO ÓTICA ELEGANTE, na Rua Dom José de Barros, nº 91, centro da cidade de São Paulo.


Há 58 anos, revolucionou o mercado criando o “atendimento personalizado”, que unia estética, moda e técnica e quebrava todos os padrões da época. Vem daí o seu grande sucesso. Os produtos que seriam vendidos na sua ótica também teriam um diferencial: não abria mão da qualidade, mas, na hora de comprar, apostava sempre nas armações mais exóticas, com pedras, acetatos coloridos e formas inusitadas. Quebrar tabus era o seu objetivo. “A minha idéia sempre foi ousar e abrir caminhos para novas tendências”, dizia.

Vanguardista e muito criativo, jamais deixava o cliente se abater por causa do grau após ler o receituário. Seu desafio era adequar as armações às lentes, deixando o cliente feliz com o visual. Num bate-papo informal, regado a muita conversa e descontração, analisava a personalidade, o estilo, a profissão e o gosto do cliente. Adorava criar modelos de óculos para uma clientela exigente, estudando cada detalhe: as linhas do rosto, sobrancelhas, apoio do nasal, cor de pele, dos cabelos… E, com um simples toque de algumas ferramentas, mudava o modelo, aquecia o acetato, cortava, deixava a peça mais reta, com um estilo mais “gatinho”, o mais confortável possível, enfim, adaptava os modelos para aquele rosto.

O cliente esperava o resultado ansioso e, quando sorria, feliz com o resultado, deixava-o realizado. Uma de suas clientes chegou a montar uma coleção de 350 modelos, todos de grau – desde os básicos até os mais extravagantes, nas mais diversas cores. “Todos comprados na ELEGANTE”, contava ele, orgulhoso!

Francisco Muniz Ventura tinha sempre uma visão moderna e arrojada de viver. Assim que decidiu abrir sua primeira filial, escolheu uma das ruas mais badaladas de São Paulo para a década de 70, a Rua Oscar Freire (esquina com a Rua Augusta), local onde a moda fervia, os formadores de opinião e os artistas transitavam e os editores de moda circulavam. A partir deste momento, as óticas ELEGANTE se consagravam: constavam nos editoriais, na mídia, no rosto das socialites e dos artistas.

Nessa loja, ele gostava de organizar desfiles para as clientes VIP, quando as recebia com música, garçons e petit-fours. Elas podiam observar sentadas as novidades das novas coleções internacionais. Uma equipe produzia as modelos com looks de roupas da nova estação e, dessa forma, ele provava que o acessório “óculos” e a “roupa” deveriam andar sempre juntos. Após cada desfile, as clientes não saíam de suas lojas apenas com uma peça, e sim com vários óculos para compor suas roupas. Os óculos iam, aos poucos, tornando-se um objeto de desejo. Comunicativo, passou a levar os desfiles para a TV – foi um dos primeiros parceiros do programa Amaury Jr. Ele acreditava que a mídia era a sua melhor aliada.

Quando os shoppings começaram a aparecer em São Paulo, o filho, Francisco Muniz Ventura Junior, braço direito do pai nos negócios, viu nesses centros de compra e lazer outra chance de consolidar a empresa e, assim, abriram lojas nos shoppings Iguatemi, Center Norte e Ibirapuera. Foi ainda mais longe: incentivou o pai a criar uma “grife” de óculos – a MONSIEUR VENTURA. Sendo ambos fanáticos pela área e sentindo a necessidade de um tipo de óculos para vender em suas lojas – com qualidade ótica, porém, preços mais acessíveis, e para uma clientela mais jovem –, resolveram desenvolver uma linha fabricada no Brasil.

Viagens internacionais para Nova York, Milão e Paris eram importantes, pois, além de buscar inspiração para criar suas coleções, eles descobriam a cada temporada marcas exclusivas e, assim, representavam as grifes mais famosas do mundo. Compravam peças exóticas, com pedras, strass, acetatos com cor – muita cor! – e lentes com tecnologia avançada. Isso fazia a dupla se destacar cada vez mais no mercado ótico. Eles tinham sede por novidades. O espírito jovem, aguçado e livre movia tanto pai quanto filho. O trabalho se transformava em “puro prazer”. Buscavam o que havia de melhor e mais novo para oferecer aos seus clientes e eram reconhecidos por isso, tornando-os cada vez mais fiéis. A loja era símbolo de vanguarda no setor. “As vitrines expressavam sua ‘cabeça aberta’”, dizia Junior. Certa vez, em uma viagem pela Europa (estamos falando da década de 1960), ele notou que as armações vermelhas poderiam ser o maior sucesso. Não teve dúvida: ao retornar, montou uma vitrine só com as novidades vermelhas e foi um sucesso de vendas.

Em 1994, ano em que sua ótica ELEGANTE completaria 41 anos, Francisco Muniz Ventura faleceu. Trabalhador incansável, adorava estar com os filhos, com os netos, fazia questão de almoçar todos os dias com a família reunida, sempre muito alegre. No Carnaval, saía na Caprichosos de Pilares (no Rio de Janeiro), mas seu hobby era viajar: conheceu mais de 30 países e considerava o Tahiti o lugar mais bonito por onde passou. Deixou para o ramo a lição de que devemos inovar, não nos preocuparmos em copiar o vizinho, muito menos seguir os padrões estabelecidos, e sim quebrar os tabus: “CRIAR O NOSSO PRÓPRIO DIFERENCIAL; temos que descobrir o nosso PONTO FORTE”, dizia ele. Era considerado UM HOMEM FASHION, MUITO À FRENTE DE SEU TEMPO. Gostava da moda “por ser cíclica”. Escolheu o público que pretendia atingir – gente cool, fashionistas, pessoas dispostas a arrojar e a usar óculos ousados, grandes e com estilo. Em seus pontos de venda, escolhidos a dedo, encontravam-se pessoas com esse perfil. As marcas e as coleções combinavam com esse cliente. E a mídia é que corria atrás das suas novidades. Ele transformava uma simples venda num espetáculo, onde a estrela maior era, sem dúvida nenhuma, os óculos!

Seu maior orgulho na vida era ter a certeza de que o filho continuaria realizando com a mesma paixão o seu trabalho, construído com tanta garra e determinação. Francisco Muniz Ventura Junior sucedeu o pai e sente uma emoção muito grande por poder fazer parte do ramo ótico e comemorar 34 anos dedicados a ele. Hoje começa a entender melhor esse orgulho quando percebe em seu filho, Felipe, o mesmo amor por esse mundo tão fascinante, tão cheio de glamour, que ele um dia, criança, passou a admirar. Como dizia o avô: “VAI SER A TERCEIRA GERAÇÃO NO RAMO DE ÓTICA, TRABALHANDO COM A MESMA PAIXÃO”.